Ainda que os eventos estejam bastante pulverizados pelo Brasil, o Facebook é a principal plataforma usada para convocar os manifestantes. Apesar da grande mobilização, o cientista político da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) Ricardo Ismael diz que a grande dúvida dos protestos deste mês é se as pessoas vão querer ir para as ruas de novo.
— É preciso alguma palavra de ordem ou duas. Essa coisa muito fragmentada atrapalha.
O cientista político da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Ricardo Costa de Oliveira concorda com o colega da PUC-RJ e garante que, agora, as manifestações não têm mais um caráter consensual, diferentemente do que aconteceu em junho.
— [Os manifestantes] já começam a ser criticados pela esquerda e pela direita por não terem lideranças que tenham cara. Não vai ter o mesmo movimento que teve em junho.
Oliveira também diz que a manifestação pode ser “esvaziada” por atitudes de violência e intolerância, observadas no fim dos protestos de junho.
— Pessoas que tinham objetivos, pessoas de boa-fé, agora têm uma desconfiança sobre quem está por trás desses movimentos. Acabou aquele efeito de manada.
Já para Ismael, duas questões podem atrapalhar as manifestações: a tentativa de “tutelar” o que a população vai fazer e a violência.
— O problema é se você tentar tutelar. A sociedade deve criticar quem ela acha que deve criticar. O bacana de junho é que teve uma critica que não era para um partido em particular.