Esbanjando beleza e estrutura de alto nível por dentro, mas ainda com muito trabalho a fazer no entorno, os estádios que recebem a Copa das Confederações estabeleceram uma espécie de consenso. A condição dos gramados, porém, apesar da aparência de tapete, gerou críticas no Mané Garrincha e na Arena Fonte Nova. Com o endosso da Fifa, a Greenleaf, empresa contratada para realizar o trabalho nos seis palcos, esclarece que o atraso na entrega das arenas impactou na qualidade do solo, que precisaria de mais tempo antes de ser usado. E já se preocupa com o prazo de liberação em 2014, para evitar o problema no Mundial.
Em alguns casos, como o de Brasília, a instalação da grama só pôde ser feita 18 dias antes da abertura oficial. Não há desnivelamento ou buracos, mas alguns tufos soltam com muita facilidade. O clima também não facilitou, com chuvas fortes na maioria das cidades.
- O Brasil ficou atrasado nas obras, e o gramado foi plantado muito recentemente. Não tivemos tempo hábil para preparar como queríamos. O transporte em meio à chuva, a colheita, isso tudo criou problemas. Mas todo o esforço foi feito. Realmente, Brasília não estava dentro do que queríamos, mas atendeu decentemente. E era um jogo só. Não está nota 10, mas foi aprovado pela Fifa. Não interferiu na qualidade do jogo e está melhor do que quase todos pelo Brasil - apontou o engenheiro agrônomo Paulo Azeredo, um dos sócios da Greenleaf.
Sempre após treinos e jogos, uma equipe da Fifa se junta a representantes da empresa para avaliar a condição do solo, cortá-lo novamente e recuperá-lo para o dia seguinte. Nenhuma arena receberá mais do que três partidas no período do torneio, que termina no próximo domingo. Com um método de drenagem de primeiro mundo, a grama é irrigada pouco antes de a bola rolar para tornar a partida mais rápida, algo até então incomum no país.
- Esse pouco tempo preocupa para o ano que vem também. No Rio, principalmente. Como vão fazer sem o Maracanã, que vai voltar a ser a dependência? Para a Copa, todos os gramadoas que já foram entregues vão estar maduros, com a raiz forte, mas precisamos de pelo menos 60 dias para trabalhar. Até fevereiro, março pode usar. Depois, não pode ter nada, senão não dá para reclamar. Em Minas Gerais, na Bahia, por exemplo, tem outras opções de estádios. Mas, sem o Engenhão, vamos ver que solução vão arrumar (no Rio) - lembrou Azeredo.